Editorial

Carla Spinillo, Priscila Farias

Resumo


Carla Spinillo, Priscila Farias


InfoDesign - Design da Informação


O design da informação caracteriza-se por colocar as questões relativas é fruição de seus produtos no centro de suas preocupações. Sendo assim, a pesquisa e a prática do design da informação privilegiam questões como a experiência do usuário, enquanto aspecto determinante do projeto; o design como fator facilitador de inclusão (tecnológica, social) e as possíveis formas de contribuição do design para o bem-estar comum. Isso pode se expressar tanto no planejamento de sistemas de sinalização mais eficientes, quanto em pesquisas acerca da compreensibilidade de documentos do dia-a-dia (como bulas de remédio, manuais, formulários); como também no desenvolvimento de interfaces computacionais que não intimidem ou excluam seus usuários, e em qualquer outro campo onde a eficiência da comunicação seja um fator importante; e onde a construção de conhecimento, mais do que a persuasão, seja o caminho preferido para obter esta eficiência.

Mais do que uma nova área de aplicação ou divisão do campo de conhecimento, o design da informação é uma postura que tende a influenciar a prática e o processo do design, com conseqüências claras para seus produtos e para as pessoas que os utilizam. A constatação de que esta postura era comum nas reflexões e na prática de um grupo representativo de pesquisadores no Brasil resultou na formação da Sociedade Brasileira de Design da Informação, e na organização do primeiro Congresso Internacional de Design da Informação. A criação da InfoDesign - Revista Brasileira de Design da Informação pode ser vista como uma extensão destes esforços. Inaugura-se, com esta publicação, um espaço permanente para a divulgação de propostas e resultados de pesquisas, reflexões, visões críticas, assim como resenhas, entrevistas e eventos que contribuam para promover e consolidar o design da informação.

Neste número inaugural da InfoDesign, os artigos tratam "com diferentes abordagens e temas" do "design da informação inclusivo", no qual o leitor/usuário da informação deve nortear a tomada de decisões no processo de design para garantir sucesso comunicacional
Inicialmente, temos o artigo de Judy Gregory que defende o envolvimento do leitor com o tópico/mensagem representada como prerrogativa para o design eficaz da informação. Ela argumenta de forma clara e precisa, como o nível de envolvimento do indivíduo/audiência à determinante na motivação em ler material informativo/educativo, quer seja um folheto, ou um manual de instrução. Gregory aponta a importância deste aspecto na definição da estratégia comunicativa a ser empregada pelo designer da informação, a qual segundo a autora, pode ser argumentativa/informativa, e/ou estratégia de emoção/entretenimento; de acordo com o perfil de envolvimento do leitor/audiência. Os argumentos teóricos são enriquecidos pela discussão dos resultados de estudo experimental com jovens estudantes sobre motivação na leitura de informativos tratando dos temas: bebidas alcoólicas e meningite. As questões apresentadas neste artigo vêm a expandir o escopo de eficácia em design da informação: a qual não se restringe à  qualidade estática e informativa da mensagem representada, mas engloba de forma integrada, a motivação e o envolvimento do leitor/público com o tema e o veículo de comunicação adotado.

Em seguida, Franck Ganier em seu artigo sobre design instrucional também ressalta a importância do leitor/usuário da informação para o sucesso da representação de mensagens processuais. Fundamentado na psicologia cognitiva e na tecnologia instrucional, como também em pesquisas empóricas, ele apresenta uma abordagem pragmática ao tema, através de orientações e diretrizes para a produção deste tipo de mensagem. Uma contribuição importante do artigo de Ganier para o design da informação refere-se aos aspectos cognitivos pertinentes à  leitura de mensagens instrucionais e à  execução de tarefas. A discussão de fatores como: relação entre representação de instruções e representação mental; o papel da memória e de inferências sobre as ações representadas; corrobora para um maior entendimento de como o design da informação instrucional pode ser otimizado para alcançar melhores performances na execução de ações processuais (tarefas).

María de Cossío, assim com Ganier e Gregory, também valoriza o leitor/usuário da informação no design de mensagens, neste caso no escopo do espaço virtual. Numa perspectiva empórica, ela discute representação de mapas cognitivos, através dos resultados de estudo realizado com estudantes de design gráfico (usuários experientes da internet/www) no México e na Inglaterra sobre aspectos navegacionais de documentos eletrônicos familiares a estes. Este artigo é particularmente interessante por apresentar uma abordagem de design da informação à pesquisa empórica de documentos eletrônicos, levando em consideração de forma integrada os aspectos gráficos e informacionais aliados ao processo ou formas de construção de rotas de navegação no espaço virtual. Sem dúvida, uma contribuição metodológica para a área.

Abordagem experimental ao design de documentos é também adotada por Patricia Fujita em seu artigo na seção de Iniciação Científica, a qual destina-se   veiculação da produção de jovens pesquisadores em design da informação. O design instrucional também é tema do artigo de Fujita, entretando relacionado ao estudo da eficácia de bulas de remédios junto a idosos. O mérito deste artigo encontra-se principalmente na importância social de investigar aspectos do design da informação relativos à  area de saúde, e em particular voltados a um público tão sensível e diferenciado. Também no viés social do design da informação, Joaquim Redig trata na seção Ponto de Vista, da relevância desta área para a sociedade contemporânea, enfatizando o design da informação como fator de cidadania. Redig apresenta de forma esclarecedora e inspiradora um relato de cunho histórico sobre o design da informação no Brasil; e a partir da indagação "todo design não é de informação?" estabelece uma visão crítica-analítica sobre: destinatário, forma e tempo; fatores que considera característicos do design da informação.

Este número traz ainda resenha crítica sobre o livro de Israel Pedrosa "Universo da Cor" (2003) por Regina Lemgruber, e entrevista realizada por Stephania Padovani com Jorge Frascara, escritor, professor e pesquisador da Universidade de Alberta, Canadá, o qual tem dado expressiva contribuição ao design da informação.

Por fim, gostaríamos de ressaltar que a InfoDesign: Revista Brasileira de Design da Informação não é apenas uma iniciativa editorial, mas um desafio que esperamos compartilhar com nossos leitores.


Palavras-chave


editorial; volume 1

Apontamentos

  • Não há apontamentos.